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sábado, 15 de junho de 2013

REQUISITOS DE UMA OBRA DE ARTE

CEDIDO
Aristóteles diz:
«É preciso que,como nas outras artes de imitação, a unidade de imitação resulte da unidade do objeto; assim, na fábula, já que há a imitação de uma ação, que esta imitação seja una e inteira, e que as partes estejam unidas de tal forma,que se se transpõe ou corta alguma delas, o todo seja abalado e transtornado.» (Aristóteles, Poética,1451 a, 22 - 34)
Na obra de arte deve haver clareza e nobreza de elocução. A obra será clara e nobre quando, usando as palavras comuns está semeada de metáforas: o poeta tempera a obra deste modo, é claro e nobre: dá grandeza à banalidade. Mas também pode cair no barbarismo, se emprega apenas metáforas; ou ser baixo por causa do exclusivismo das palavras comuns; ou enigmático se gasta, em absoluto termos insignes ou «caros».
Outro requisito: a variedade. «Varietas deletat», segundo o prolóquio latino.
Na opinião do Filósofo, a epopeia tem uma particularidade importante: enquanto a tragédia só pode imitar a ação que está em cena, a epopeia imita muitas partes simultâneas da ação. Ora isto dá grandeza à obra épica, proporciona ao ouvinte o prazer da mudança, e prepara a variedade de episódios dissimilhantes. (Aristóteles, Poética,1459 b, 13 s)
Devem, ainda, as obras de arte ter uma certa extensão. Como escreve o autor da Poética,«uma coisa pode ser inteira e ter pouca extensão.É inteira aquela que tem começo, meio e fim». E remata: «As fábulas bem constituídas não devem, pois, começar nem acabar num ponto tomado ao acaso.» (Aristóteles, Poética,1450 b, 24 - 35
Só outro requisito mais: a proporção.
A este respeito,escreve: porque « a beleza reside na extensão e na ordem..., um animal belo não pode ser extremamente pequeno (porque torna - se confusa a vista quando não dura senão um momento quase impercetível), nem extremamente grande (porque, neste caso, não o abrange o olhar, mas a unidade e a totalidade escapam à vista do espectador; imagine - se , por exemplo, um animal que tivesse milhares de estádios de comprimento...) segue - se que, se para os corpos e para os animais é precisa uma grandeza tal que se possa abranger com a vista, do mesmo modo é precisa para as fábulas uma extensão tal que a memória possa capturar.» (Aristóteles, Poética,1450 b, 35 - 40; 1450 a 1 - 6)
Nem São Tomás disse melhor quando se exprimiu assim:- «Pulchra enim dicuntur quae visa placent; unde pulchrum in debita proportione consistit, quia sensus delectatur in rebus debite proportionatis.» (Aquinatis, S. Thomas, Sum. Th., Parisiis (ed. 17 q.V, art. IV.) « Os pequenos podem ser formosos e comensurados - mas não belos.» (Aquinatis, S. TH., in Libros Ethicorum Arist. ad Nicomacum, Taurini, 1934, Lib. IV, p. 249 - 251)

J.E.SANTOS - meu pai

23 comentários:

Nina Filipe disse...

Olá minha linda amiga muito boa tarde, meu bem venho agradecer mais uma vez o teu sempre lindo comentário.
E dizerte também que tens um miminho no meu blogue está logo por cima das postagens ...logo vez o teu nome se gostares leva que é teu se não gostares eu também não fico triste, mas fiz para a amiga Janita e para o Mineirinho se veres os comentários logo dás com o blogue deles.
Querida esta é uma maneira muito simples mas não menos sincera de dizer que amo os meus amigos.
Que tenhas um lindo fim de semana com tudo de bom na tua vida...mudei o nome de franciete e dei o nome que a minha neta me chama... também faz parte do deminuitivo de francilina.
Beijinhos de luz e paz.

Anne Lieri disse...

Oi Beatriz!Mais um texto excelente do seu pai sobre as obras de arte.Adorei e aprendi muito tb!bjs,

Nilson Barcelli disse...

Gostei do texto, tem conceitos muito interessantes.
Beatriz, querida amiga, tem um bom domingo.
Beijo.

Tamara disse...

Y yo que pensaba que para una obra de arte lo único que hay que tener es imaginación. Un besazo.

manuela barroso disse...

Uma belíssima reflexão, um encanto de curiosidade poética com que estou em completo alinhamento na mina modestissima opinião.
Será caso para dizer, Beatriz, "in medio est virtus"
Nem enfado, nem rafado...
Adorei
Parabéns a teu Pai, um sábio e estudioso.
Aquele abraço, querida

Nina Filipe disse...

Bom dia minha linda por onde anda , espero que não esteja doente pois você era tão presente sempre em seu blogue e há dias que nada sei de você.
Minha amiga espero que nada de mal se esteja passando tudo de bom para si deixo os meus beijinhos de luz e muita paz.

Mariazita Azevedo disse...

Minha querida Beatriz
Estou assim a modos que sem fala!
Passei agora por aqui a ver se havia novidades, e deparo-me com este post que, estava convencidíssima, já tinha comentado...
Mas não vejo aqui o comentário...
Já há tempo me aconteceu num outro blog, do Vitor Chuva, e quando manifestei o meu espanto ele respondeu-me que também a ele já acontecera...
Enfim, a Net às vezes prega-nos partidas.
Vou só acrescentar que gostei imenso desta "análise" feita pelo senhor seu Pai, com a qual, pese a minha ignorância, estou de acordo, e acho que merece parabéns.

Muito obrigada, minha querida, de coração, as palavras deixadas na minha «CASA».
A verdade é que nem tudo o que acontece é perceptível para a nossa mente...
Temos que aceitar que "Existem mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia"
como disse William Shakespeare.

Continuação de boa semana.
Beijinhos

Luma Rosa disse...

Oi, Beatriz!
Seu pai pegou pesado agora :) Acho que compreender a arte em si, não sendo artista é bastante complicado. Necessário muito estudo ou apenas seguir a intuição. Dois caminhos extremos para compreender que a arte é a imitação ou representação da natureza, até mesmo da natureza humana.
Platão enxergava a imitação da natureza como cópia imperfeita do original, ao contrário de Aristóteles que encarava a arte como imitação da natureza, porém não a colocava como cópia.
Essas teorias são talvez as mais antigas, elaboradas sobre a arte e que merecem ainda muita compreensão.
Boa semana!!
Beijus,

Dona Sinhá Internacional disse...

Beatriz
Já estou seguindo teu blog, gosto muito de ler e os "pensamentos" nele contidos são ótimos.
Quanto ao Dona Sinhá Internacional, as receitas do Afeganistão estão lá. São ao todo 23 postagens (ainda não consegui mais), mas se tiver problemas para acessar, me avise que eu te envio.
Beijos
Dona Sinhá

Humberto Maranduva disse...

Acabei de escrever um completíssimo comentário sobre esta temática.

Na altura da publicação a net (que pagamos sem interrupções) foi interrompida...

Estou desolado!

Um beijo

Manuel Bragança dos Santos

Humberto Maranduva disse...

Resumindo, dizia que a arte é impenetrável e imutável, embora a vejamos sempre diferenciadamente, em função do espaço, do tempo e das nossas idiossincrasias caracteriais.

Manuel Bragança dos Santos

Ana Dias disse...

Olá Beatriz!
Obrigada pelos elogios.
Seja Bem-vinda!
Adoro cozinhar, na minha opinião é uma terapia maravilhosa.
Desejo a vc e família um fim de semana abençoado pelos anjos.
Abraços fraternos
Ana Dias

✿ chica disse...

Que beleza de texto e muito interessante. Belo trabalho fez teu pai! beijos e respondo: Muitos céus as pessoas me mandam, outros, os meus, faço as fotos!)

Lindo fim de semana,chica

Dorli disse...

Oi Beatriz!

Seu pai é muito bom de análise. Vou parar um pouco de usar metáforas. Eu só as uso porque quando abri o blog foi para o povão e daí, me danei...
Devagar eu chego lá.
Obrigada
Beijos
Lua Singular

Anne Lieri disse...

Oi Beatriz,voltando pra agradecer sua visitinha e desejar bom final de semana!bjs,

Gracita disse...

Olá minha linda!
Que texto heim minha querida. Mas é gratificante ler um texto tão forte. Que Deus derrame flores perfumadas para atapetar o seu caminho
E tire dele todos os espinhos.
Que a fartura do amor preencha seu coração para que o seu domingo seja mágico e abençoado
Beijos com meu carinho e meu afeto
Gracita

Dorli disse...

Oi querida
Eu me apertando para procurar seu blog e você está na minha lista de amigos...
Beijos
Lua Singular

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Aprecio obras de arte, sem um conhecimento que me faça "aproveitar" melhor...Após ler esse formidável trabalho de seu pai, Beatriz, certamente, adquiri uma grande aprendizagem. Ele fez uma análise excelente, um ensaio perfeito e nos indica importantes requisitos de uma obra de arte. Obrigada, pela partilha.
Um beijo,querida,
da Lúcia

Toninho disse...

Mais um belíssimo e inteligente trabalho do pai e com sua a sua generosidade Beatriz,podemos ler um texto com tamanha riqueza, que estimula a pesquisas.As referencias ás metáforas são perfeitas e a citação de São Tomas ilustra perfeitamente.
Parabéns ao J.E Santos com meu terno abraço.
Beatriz estava com dificuldade de acessar sua paginas diretamente de seu link nos comentários em minha pagina pois só me levavam ao Google+ e lá não via o link para vir aqui. Mas já esta nos favoritos e assim facilita minha visita.
Meu carinhoso abraço de paz e luz amiga.
Beijo na alma.

Silenciosamente ouvindo... disse...

Uma análise muito bem feita pelo
sr. seu pai, a quem felicito.
Bj.
Irene Alves

Zilani Célia disse...

OI BEATRIZ!
UM TEXTO ELUCIDATIVO, COM RESPEITO A ARTE, MOSTRANDO TODO SEU CONHECIMENTO, PARABÉNS AO PAPAI.
AMIGA, NÃO CONSIGO VIR DIRETO DOS COMENTÁRIOS DE MEU BLOG PARA O TEU, VOU PARA O GOOGLE+ E DE LÁ NÃO CONSIGO VIR, TENHO DE IR NO GOOGLE E DIGITAR TEU NOME, NÃO SEI O PORQUÊ.
ABRÇS
http://zilanicelia.blogspot.com.br/

Ig BasSal disse...

Oi Beatriz
Obrigada, e já estou bem melhor. E ler tuas publicações sempre faz um bem enorme, ao corpo e à alma.
Beijos
Dona Sinhá

Humberto Maranduva disse...

A propósito de arte, recordo aqui a obra “A Civilização do Renascimento” que, na óptica de Jean Delumeau, desenvolve todo um conjunto de temáticas aparentemente circunscritas a determinados períodos históricos e, muito embora esse encaixe temporal se me apresente como uma realidade incontornável, não deixou de operar, para o bem e para o mal, um conjunto de influências nas épocas subsequentes. Atente-se, por exemplo, a tudo quanto diz directamente respeito ao Renascimento quando este, através do seu percurso e desenvolvimento, demonstra, não só quando se vê atraído pelo retorno à Antiguidade Clássica, ao encontro “das fontes do pensamento e da beleza”, numa aparente quanto efectiva busca das origens epistemológicas do passado, que viriam a constituir uma atracção irresistível, mas também, não obstante a contraditória impressão que tal provoque em nós, uma enérgica procura do futuro onde tudo é posto em causa, nomeadamente através da “Crítica do Pensamento Clérical da Idade Média, pela recuperação demográfica, pelos progressos técnicos, pela aventura marítima, por uma estética nova, por um cristianismo reelaborado e rejuvenescido”.
Um beijo do Manuel Bragança dos Santos