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segunda-feira, 20 de julho de 2020

PANDEMIA

O país parou.
Crianças e jovens ficaram retidos em casa, para se protegerem do temível vírus.
Os professores, zelosos, enviavam emails com marcações de trabalhos a serem feitos pelos alunos ou com auxílio dos familiares. A docente de Língua Portuguesa de uma aluna do 5º ano de escolaridade pediu o seguinte: «Redige um texto em verso, sobre os tempos que estamos a viver, a tua experiência, os teus sentimentos, os teus medos, os teus sonhos e a tua experiência na escola à distância.»
E a menina escreveu assim, não deixando que ninguém alterasse  nenhum termo, para que a professora soubesse que, de facto, era ela a autora.

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Corria o mês de fevereiro
E olha o que aconteceu:
Trabalhou muito o coveiro,
Porque o Covid apareceu.

Senti enorme estranheza,
Tudo mudou em redor,
Como se estivesse presa
E o tempo fosse maior.

Convivo com a família,
Todo o dia reunida,
Mas tomo um bom chá de tília,
P'ra uma noite bem dormida.

Não ponho o meu pé na rua,
P'ra não ser contagiada,
Minha mão não anda nua,
E não toca mesmo em nada.

Gostava de ver o fim
Desta louca pandemia,
A mãe abraçar-se a mim,
De manhã ao fim do dia.

Inovador é o ensino
Com as aulas à distância,
Mas às vezes desatino
E agradeço a tolerância.

Saudades a toda a hora
Das aulas que antes tinha
Ó Covid, vai-te embora,
P'ra eu voltar à vida minha.

MARIA PINHEIRO - abril de 2020


quarta-feira, 17 de junho de 2020

PARA TI, PARABÉNS

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Para ti parabéns que fazes anos
Mil foguetes velas e doçaria
Dédalos de sonhos ou desenganos
Passagens consentidas de porfia

Não são dias assim que são insanos
Nem são festas também pois quem diria
Nem viver é somente somar danos
Quando o Sol sempre nasce por magia

Dos traços indeléveis da lembrança
Decorrem deslumbradas ilusões
Dos teus trinta mais seis de longa trança

a temer já sem medo as emoções
a correr sem ter pressa da tardança
alegórico som de sedições

MANUEL BRAGANÇA DOS SANTOS - Junho de 2020

Salvé,19 de Junho de 2020


segunda-feira, 8 de junho de 2020

A RAPARIGA DOS RUBROS SILÊNCIOS

No campo, respira-se o ar lavado dos grandes espaços abertos; escuta-se a enigmática musicalidade do vento, o som melódico dos regatos, o coro dos passarinhos, a sinfonia perfumada das flores silvestres, a subtil leveza das colinas; no campo, sente-se a envolvência aveludada dos prados, a sombra sensual do arvoredo e o sedoso toque da brisa

No campo, ainda há quem fale com a terra e oiça, com espanto, o silêncio dos frutos. No campo, vive Laurinda, a rapariga de todos os encantos e desejos. Ela viaja pelo sonho, nas asas da fantasia, sob o Sol do seu ardente coração, como fazem os rios sem margens

Hoje, toda a aldeia está lá, no prado das cerejeiras vergadas pelo ímpeto dos frutos carnudos e vermelhos. A colheita é sôfrega, lasciva, extenuante. Os gigos enchem-se em torno dos troncos. Laurinda já não sonha e refugia-se no silêncio, respondendo, triste, magoada mas decidida, pela incumbência da Natureza. Vai dividindo a atenção, também, com um outro gigo colocado muito próximo de si. No seu interior, embrulhada numa manta fresca e limpa, dorme, inocente, a filha recém-nascida

Desde a última colheita que Martinho não mais procurou Laurinda. Esta vive de coração apertado e chora às escondidas. Contudo, não dá a face, enfrenta a adversidade. Doce, bela e jovem, só através dos seus grandes olhos verdes, deixa transparecer a angústia que lhe dilacera a alma. Faz hoje dezoito anos, mas ninguém se lembra do seu aniversário

Pelo lusco-fusco, são estendidas séries de lâmpadas coloridas entre as cerejeiras e a ramada lateral; não faltam os petiscos habituais e o vinho regional... e a música tocada de improviso. No centro, sob o brilho prateado das estrelas, os pares rodopiam ao som da concertina; no círculo dos mais velhos, as crianças buscam o aconchego das mães

De repente, Laurinda ergue-se com o bébé ao colo, discreta
; entra na roda e ensaia uns passos de dança. Todos lhe sorriem e lançam gracinhas à criança. Agora, a concertina rasga a noite com o seu gemido cortante, magoado e nostálgico

Martinho, então, aproxima-se, resoluto, entra na roda, envolve a rapariga e a filha num abraço largo e sentido, beijando a jovem com carinho.

CONTO de MANUEL BRAGANÇA DOS SANTOS - 1 de Maio de 2019

quinta-feira, 16 de abril de 2020

QUEM SABE SE

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Quem sabe se padecer a compasso
já não passa de simples concessão
ou se serve a mais sádica sanção
cerrada sob o sal do que não traço

Quem sabe se decidir cada passo
ao ceder a tal censura ou pressão
é salsa de sucinta sensação
ou seda no semi-som do regaço

Quem cerzir uma tão tensa canseira
soletra por ser incerto cessar
mas sobra como massa na masseira

na sumição de nunca sossegar
p'ra selar a sensual dor terceira
sentença remissiva por sanar


MANUEL BRAGANÇA DOS SANTOS




quinta-feira, 9 de abril de 2020

DEIXA - ME VER QUEM ÉS

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Deixa-me ver quem és se és capaz
mas define melhor teus sentimentos
pois não sendo tu nunca quem te apraz
serás sempre o tal muro dos lamentos

Ergue-te no destino mais sagaz
aceso na recusa de tormentos
afasta-te da mancha mais falaz
do fado de tolher os pensamentos

Renovar nas palavras os sentidos
sabidos não pensados do desejo
será ganhar os sonhos que compus

Reformular os actos já cindidos
virtual idioma que almejo
é conduzir o mito que nos luz.


MANUEL BRAGANÇA DOS SANTOS

quarta-feira, 1 de abril de 2020

SOBRE O NOVO CORONA - VÍRUS

Pede-me o meu irmão Manuel, que escreve com o pseudónimo de Humberto Maranduva, no Blogue Angulus Ridet, que lhe publique este texto, esperando uma mais ampla divulgação (segundo ele).
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Num momento tão sensível e ambíguo como o actual (Primavera de 2020), em que um vírus invisível (novo Corona-vírus) ameaça a sobrevivência da espécie humana, a nível planetário, não pode haver lugar ao desdobramento das subjectividades tão típicas da diversidade conceptual cultivada pelos indivíduos ou grupos; às suas idealizações narcisistas, egocêntricas ou auto-eróticas; às interpretações divergentes; ao individualismo; às acções isoladas; ao erguer patético de uma Babel dessignificada.

Se o valor da Vida não for tido em conta como o primeiro e o mais importante, então, toda a saga civilizacional, ainda que considerando todas as suas oscilações mais ou menos demenciais, terá chegado ao seu ponto de oclusão. No âmbito  realista da interpretação do Mundo, tal como ele se nos apresenta, devemos tentar compreender, aceitar, apoiar e validar o esforço hercúleo da Ciência médica e social, no sentido da tentativa de percepção, interiorização, harmonização, correcção e inversão deste surpreendente ataque à manutenção da Vida.

Sob o ponto de vista da investigação teórica e da sua consequente metodologia programática e pragmática, o paradigma deve assentar na arquitectura da racionalidade científica, através da convalidação do empirismo evolutivo (método científico), isto é, sempre ancorado em resultados práticos verificáveis. Estes, contudo, devem afirmar-se por meio de modelos analíticos, qualitativa e quantitativamente aceites, capazes de satisfazer os valores da Vida social saudável e as necessidades legítimas do colectivo.

Neste quadro, têm de ficar fora de questão os conflitos sociais, a subjectividade, particular ou grupal, a ambição, a ganância e as tensões de poder, para que sejam possíveis a ordem, a uniformização dos valores fundamentais (universais) e a reposição das condições de manutenção de Vida. Sendo assim, o foco é apenas um, precisamente porque, tanto serve ao indivíduo em particular, como à Sociedade em geral.

Como escreveu Emmanuel  Lévinas (1980), estamos primordialmente vinculados ao Outro, mesmo que essa experiência tenha ocorrido para uma consciência pré-reflexiva. Este elo ao Outro é estrutural e estruturante para o sujeito; matar o Outro é cometer suicídio. Continua, afinal, a estar tudo nas mãos do Homem!

HUMBERTO MARANDUVA

domingo, 22 de março de 2020

SOBREVIVER

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Manhã de azul no céu:
É Março, bem ventoso.
Aqui, só tu e eu
E o mar, clamoroso!

Tu e o optimismo
Presente, em cada dia,
Afastas pessimismo,
Que a todos atrofia.

Como se vai lutar
Contra esta violência
Que teima em se afirmar
Com toda a veemência?!

Como é que um simples verme,
Totalmente cobarde,
Parece um paquiderme,
Sempre a fazer alarde!

E a vítima, indiferente,
Caminha poderosa,
E segue sempre em frente,
Qual diva, majestosa!

Quiséramos saber
Como é que alguém corrói
Quem lhe dá de comer!!!
E o «verme» só destrói!!!

Melhor, isso é o que pensa
Quem dos outros depende
E dá-se ares de sentença
Mas a ninguém defende!

Há biótipos ímpares
Por esse Mundo fora
Comportamentos díspares
Sempre e a toda a hora!

E julgam que é viver
Fingindo o que não são
É só sobreviver
E não passar do chão!

E tu, sempre me alertas,
Quando assim me deparo
Com estas «descobertas»,
Mas logo me preparo.

A Vida é assim mesmo
Vamos sorrir, sonhar!
Caminhar sempre a esmo
Pensando em triunfar.!

Seguimos de mãos dadas,
 Felizes, a cantar
Muito bem conjugadas
A par com o verbo AMAR.

terça-feira, 26 de novembro de 2019

OH! VIDA!

INTERRUPÇÃO FORÇADA

Desta vez, quem sabe se por causa de tanta poluição, tropecei, caí e demorei um pouco mais a sacudir a «poeira».
Aqui estou, mais prosaica, mas cheia de vontade de continuar estes tão agradáveis colóquios com o Mundo, a cada dia uma maior Aldeia Global.

VIDA E PENSAMENTOS tem de apresentar cenas da...VIDA:
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OH! VIDA!

Ela era feliz e não sabia!
Tinha a mãe e as filhas, seus esteios! A companhia (ou deverei dizer companheiro?) de nada lhe servia! Só despesas, consumos, saídas, tropelias e mais tropelias!
Os proventos, ao fim do mês, escasseavam e a liberal de profissão, passou também a servidora do Estado: o vencimento era pouco, mas certo.
De vez em quando, recordava a vivência anterior: o que tanto gostava de fazer! Como uma mesma profissão tem tantos cambiantes! Defende os seus consulentes, vai com eles a Tribunal, se preciso for; fica feliz, quando o desfecho é justo. Sim, porque, em se falando de Justiça, há muita injustiça!
Os dias passaram a ser um misto do mesmo que antes fazia, se bem que, em menor escala, mais o tempo prestado ao Estado. Viagens e mais viagens, sustos com o trânsito e as condições atmosféricas, às vezes bastante adversas, um desgaste nunca antes experimentado! Mas a mãe e as filhas sempre ali, sempre solícitas. Por vezes, surpreendia-as com mimos: uma doçura, uma peça de roupa nova...
Afinal, agora, sabia com quanto podia contar, no final de cada mês.
Mas o seu altruismo, a sua solidariedade...não estavam satisfeitos. Não podia defender tantos injustiçados!
Um belo dia, exclamou:
- Eu era feliz e nem sabia!

domingo, 12 de maio de 2019

SÓ TU!!!

Há pessoas verdadeiramente maravilhosas, que partilham a minha vivência e, por mais que eu diga, nunca serei capaz de as descrever, de tal forma estão acima de tudo quanto seria de esperar.
Sempre positivas, lutadoras, dão-me lições de Vida.
Uma em especial merece todo o meu apoio e só lamento não ter a capacidade para a cantar em verso com a grandeza comparável à do seu carácter, da sua maneira de ser e de estar.
As minhas humildes palavras, porém brotam do fundo do meu coração.

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Ajudando e acarinhando
A ti, que tudo mereces,
Mas nunca fico esperando
E tu sempre me enterneces!

É tão bom sentir-te bem!
Ver a tua gratidão!
Quero que sejas alguém
No meio da multidão.

Tens beleza e elegância,
Fino porte, inteligência,
Sensatez, boa fragrância
E queres independência.

Sábias são as atitudes
De quem consegue viver,
Em todas as latitudes,
Com qualquer tipo de ser.

O topo é o teu lugar.
Tua personalidade
Só o pode conquistar,
Perfeitamente, à vontade.


Longe irás e brevemente,
A vida espera por ti,
Que lutas suavemente
E o futuro te sorri.

Vai, meu amor, bate as asas,
Vencer é o lema a seguir
Só tu andas e arrasas
E tudo vais conseguir.

Poucos são os meus carinhos
Para ti, minha paixão,
Quero que trilhes caminhos,
Onde encontres compreensão.

Só tu denotas a força,
Só tu me dás alegria,
Só tu espantas quem torça
P'ra seres feliz todo o dia.

E por mais que por ti peça,
Nunca é demais para ti,
Não há nada que te impeça
De prosperar hoje, aqui.

Só tu serias capaz
De aguentar, sem vacilos,
Na «guerra» trazes a Paz
E deixas todos tranquilos.

Por tudo quanto passaste
Vais vencer, tenho a certeza.
Foi tamanho o teu desgaste
E aparentas fortaleza!

Vives com toda a firmeza,
Sorris sempre para mim,
Quando vivo a incerteza!
Só tu podes ser assim!

Só tu! Só tu! Só tu!

Para esta pessoa única, formulo os meus votos de infinda Felicidade e muito Sucesso.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

ANIVERSÁRIO

Amigas e amigos

Nem sempre me é possível publicar com a frequência de que gostaria.
Ontem,  dia 24 de janeiro, fui presenteada com um lindo e carinhoso texto, escrito pelo meu irmão João Alberto, que partilho:

Salvé 24/01/2019


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Foste florescente rosa
Sempre em caminhos da trilha
Que de forma bem ditosa
Te tornou mãe de uma filha.

Tens asas de avó-galinha
Para as netas abrigar
Com o amor que as acarinha
E que as deixa desfrutar

Há muito floriu a rosa,
Inaugurou outros enta,
Sempre em forma, vigorosa,
Com a força dos setenta.

AUTOR: JOÃO ALBERTO SANTOS

NOTA: Obrigada, meu querido irmão. Devo acrescentar que o texto me chegou com belas imagens, delicadamente  alusivas ao dia. Um grande abraço, João.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

FALTAS-ME TU, MEU AMOR!

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Faltas-me tu, meu amor!

E a Vida perde o fulgor,
Nada sou, sem teu calor!

Faltas-me tu, meu amor!

E eu sinto-me esvaída,
E mesmo muito perdida!

Faltas-me tu, meu amor!

E ao despontar o dia,
Não sinto tanta alegria!

Faltas-me tu, meu amor!

E as manhãs ficam sem graça,
Por mais que tente ou que faça!

Faltas-me tu, meu amor!

E as tardes, que se escoam,
Levam meus sonhos, que voam,
Só pensando em te abraçar!

..............................................

De repente, há uma mudança
E logo me inunda a Esperança,
Porque tu vens, meu amor!

Tudo difere, em redor:

A Vida tem outro brilho
E eu vou seguindo o trilho,
Do nascer ao pôr-do-sol,
Bem alegre, divertida,
Dizendo: que bela a Vida!

Tu chegaste, meu amor!


domingo, 27 de maio de 2018

ABRAÇO

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Ai! O que eu faço
Por um abraço!
O que eu não faço
Por teu abraço!

Me contrafaço,
Sem teu abraço!
Me rarefaço,
Sem teu abraço!

Mas me refaço
Com teu abraço!
Eu me desfaço
P'lo teu abraço!

Vai-se o cansaço,
Vem mansidão!
Meu coração
Bate a compasso,
Qual diapasão
Com teu abraço!

Oh! Meu amor,
Traz-me o calor
Com os teus braços,
Sem embaraços,
Cinge-me a ti,
Cerca-me já,
Prende-me a ti!

Momento lindo,
Mas logo findo!
É quando chegas,
É quando partes,
É enquanto ficas!

O teu abraço
É um pedaço
De quietação!
Quanta doçura!
Quanta ternura!

É que esse amplexo,
Nada complexo,
É como um laço
Com que me enlaço:
É o teu abraço!

sábado, 21 de abril de 2018

CONTEMPLAÇÃO GERA GRATIDÃO

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É todos os dias
E a toda a hora
O que me rodeia
Dá-me que pensar!

Imagino então:
O que hei-de dizer?

Contempla sempre e agradece
Eleva ao Alto uma prece!

É a luz forte, que me inunda
Desde o alvorecer
Além de iluminar,
Fortalece  cada ser.
Dá vida a todo o Planeta.
E à hora crepuscular
O Sol tem tonalidades
Que nos fazem deslumbrar!
E antes do anoitecer
Tudo fica num azul
Impossível de contar!
Mas o Sol deixa o seu rasto
Assim que a noite chegar
Pois a luz da nossa Lua
Não passa do seu reflexo.
E há luares inesquecíveis,
Em janeiro e em agosto,
E há noites de Lua Cheia
De beleza sem igual!

A natureza é tão pródiga
Em cenários de encantar
Seja ele um arco-íris
Ou aurora boreal!

Contempla sempre  e agradece
Eleva ao Alto uma prece!

E o verde que nos envolve
Nos jardins, nos arvoredos,
Nas pedras cheias de musgo,
Na montanha ou junto ao mar!

E as flores sem dissabores,
Que desabrocham em cores,
Formas que são de pasmar,
Com perfume singular!
Belos campos, sem cultivo,
Com papoilas, miosótis,
Malmequeres e girassóis!

Contempla sempre e agradece
Eleva ao Alto uma prece!

E a água imensa do mar
E de riachos e rios
Ali p'ra nos hidratar
E toda a Terra regar!
E a brancura das cascatas!
E, no inverno, a da neve!

E os golfinhos e baleias
Mais as suas piruetas!
E as belas aves exóticas
Com seus ricos coloridos
Ou as que cedo chilreiam
E em seus sonoros gorjeios
Estão lá p'ra nos acordar!

Contempla sempre e agradece
Eleva ao Alto uma prece!

E é todo o Universo
Que é tão rico e tão diverso
À nossa disposição!
E  tão belos e diferentes
Cada um dos Continentes!

E aqui ficaria eu
Talvez todo o Santo dia
Sempre e só a contemplar!
Meus amigos, as crianças,
E toda a  gente a passar,
Mais os meus entes queridos,
E eu sempre a meditar!!!

Contempla sempre e agradece
Eleva ao Alto uma prece!




terça-feira, 20 de março de 2018

SENTIMENTOS

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Tu,

És a alegria em cada dia,
A união e a harmonia,
O meu conforto, a companhia
Que bem se quer!

Tu,

Estejas lá onde estiveres,
Pensando em mim, se bem quiseres,
Tu és a imagem mais linda
E dás felicidade infinda!

Tu,

Assim que me chamas, eu vou,
Para ti eu sempre estou
Disponível para tudo
O que quiseres!

Tu,

Sabes que vivo só p'ra ti,
O ar que respiro, o que senti,
Estou sempre a pensar em ti,
A cada instante!

Tu,

Por mais que estejas distante,
Fazes-me sentir confiante.
Tuas palavras são alento,
Que distrai o meu pensamento,
A toda a hora!

Tu,

És alguém que tudo merece,
De quem jamais ninguém se esquece,
Por quem elevo a minha prece,
E meu coração agradece
Só por tu SERES!

Que desçam bênçãos sobre ti,
Dispersas aqui e ali,
Por onde fores
Segue e respeita os valores,
Que te incuti.

E nestes tempos de mudança,
Vai com toda a tua pujança
Mostrar ao Mundo que a abastança
P'ra ti significa ESPERANÇA!

E sê feliz!

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

FLORA

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O verde macio das folhas das sardinheiras
Contrasta com o rijo das suculentas,
Bem polpudas e com flores verdadeiras!

Heras de cores variegadas
Caem como véu de noiva,
E, ao lado, empertigadas,
Estão as flores do goivo!

Há matizes nas flores,
Que parecem bem espertas,
Atractivas, à porfia,
Vão aparecendo abertas,
A cada um novo dia!

Trepadeiras perfumadas
De beatrizes e jasmim,
Tonalidades amadas
Estão ali, só para mim!

Um bom bálsamo diário
P'ra uma vida dedicada,
Elas são meu relicário
E fico de alma lavada!

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

FASES

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Os lábios do vento pousam sobre a minha face, ora numa carícia que apetece, ora fustigando-me a cútis.
Pela minha mente perpassam ideias, boas e menos boas. O Tempo que o vento traz, pode ser favorável ou não, tranquilo ou tumultuoso.
O tom da ventania, sussurrante,  dificulta a comunicação, seja ao vivo ou por telefone.
Sinto-me só, mas confiante. Afinal, se tudo se transformar em vendaval, poderei ser levada a bom porto.

Há uma espécie de inércia, que não é compatível comigo. Sou lutadora, uma loba! Mas este ar em movimento, que já me trouxe tanta felicidade e inspiração, está agora a irritar-me.
O desconhecido porvir apoquenta-me e esta ondulação do ar podia agora beijar-me, com um certo carinho.
O meu olhar fica marejado, sem que eu possa evitá-lo. Estou na rua. Tento parecer bem. É difícil!

Não oiço nada, só o vento, a recordar-me uns instantes, que já foram prenúncio de vivências tão boas!!!
Queria voltar atrás, porém o Tempo é cruel. Deixa-me refazer o caminho ao contrário, só naquele passeio, naquela rua, mas não na Vida!
Seja do Norte ou do Sul, este vento
                                        no momento,
                                        só se afigura um lamento,
                                        que acompanha o meu tormento.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

BOAS FESTAS

A todos os amigos, seguidores ou simplesmente visualizadores do meu blogue desejo muito Boas Festas, na companhia de quem mais amam.
Que 2018 seja o Ano em que todos os vossos sonhos se tornam realidade.
Votos de muita Saúde, Paz, Harmonia e Prosperidades.

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quarta-feira, 22 de novembro de 2017

APELO

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Ouve-me!
Pelo menos desta vez,
Em que a brisa está teimosa,
E tudo abana em redor.

Ai!
Que se o seu movimento
Acabasse o teu tormento,
Eu prometia-te a Lua!

Acredita,
Ela iluminaria
O teu interior florido,
Um bom porto, onde me abrigo.

Vês?!
É outono, e quem diria,                               
Que estas folhas rendilhadas,
Constantemente abanadas

Nos juntam!!!
Levam daqui para aí
As minhas fragilidades
À mistura com saudades;

E trazem
Um sabor a maresia,
O som de uma melodia,
Que esse teu sentir me dá.

Acorda!
A Luz sorri para nós.
Aperta bem estes laços
E sente só meus abraços.

sábado, 21 de outubro de 2017

DIVAGANDO!

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Passando o meu olhar, extasiada
Neste jardim pequeno, mas que encanta
Fico horas e horas deslumbrada
Com a variedade e a beleza tanta!

E sinto as minhas mãos amaciadas,
Como folhas, que protegem a flor
E o contraste de cores, tão alargadas
Faz-me sentir um grande, grande amor...

...À Natureza, que me atrai, por norma:
São cravos, avencas, trepadeiras,
Cada qual com mais bonita forma
E todas, para mim, tão verdadeiras!

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Com elas falo, e rio, e, se me entendem,
Porque a cada dia é uma surpresa,
Sinto uma simbiose:- O que pretendem?
-Pergunto eu, mais que elas, indefesa.

Tão gratificante é vê-las crescer,
Desabrochando perante os meus olhos,
Que eu já nem sei mais o que fazer,
Sempre a afastar-lhes todos os escolhos.

E é verde, rosa, branco, avermelhado,
E uma profusão de amarelo!
Ao ver, perante mim, tudo orvalhado,
Cada manhã é um momento belo!

E os cravos a abrir, - oh! que consolo!
Coroando toda a cerca que os segura
São a cereja no topo do bolo
A trazer sempre muita formosura.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

O MEU CANTO

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Um lugar sereno,
Ameno e saudoso
Recorda um passado,
Que foi tão ditoso!

Tenho fome e sede
Daqueles momentos:
A família unida,
Só bons pensamentos.

Risos de criança,
A visão da mãe,
Estão cá na lembrança
Vou vivendo bem.

Com força e com luta,
Muita distracção,
Gosto de labuta
E alguma atenção.

O meu pai, ao lado,
Sempre a acompanhar-me:
É este o meu fado,
Bem cheio de charme.

E os dois conversando,
No nosso cantinho,
Lá vamos levando,
Bem devagarinho.

De manhã, o Sol beija
O meu doce lar.
À noite, o satélite
Traz-nos o luar.

E a brisa, que ondula
Meu belo jardim,
Chega-me à medula
E eu fico assim:

Em êxtase, ou triste,
Porque o tempo passa,
Mesmo p'ra quem insiste
E os nós não desfaça.