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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

DUETO INTERNACIONAL

BEATRIZ

Rio Douro
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Sou natural de Sardoura,
Que é no Douro Litoral.
Nasci bem perto de um rio,
Que é internacional,
Pois vem lá do Urbion
E tem foz em Portugal.

Tem um caudal lamacento,
Nunca se lhe vê o fundo
P'ra muitos foi um tormento...

DORLI
LUA SINGULAR

BOTELHOS,Minas Gerais
Apesar de gostar das praias do Brasil,
Fui nascer escondida nas montanhas,
Nas alvas águas quentes ao natural,
Entre matas e belas árvores frutíferas,
Botelhos, Minas Gerais,sem canavial,
Hoje vivo na terra da cana, Palmeiras.

BEATRIZ

Palmeiras e bananeiras,
Abacates,canaviais,
Embora mais brasileiras,
Encontram-se nos quintais
Do casarão dos meus pais,
Que é longe por demais.

Temos de usar transporte
Para chegar até lá.
Leva uma hora,com sorte.

DORLI

Os abacates e os canaviais,
Nós temos só nos arredores,
Nos quintais tem nada mais,
Só piso frio nos corredores.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

MANUELA e BEATRIZ

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MANUELA

Ah e os morangos escondidos
nos valados do quintal
faziam as minhas delícias
no passeio matinal.

BEATRIZ

Lá em casa, os morangueiros
Davam frutos bem mimosos.
Todos eram lambareiros,
Mas só podiam provar
A sobremesa,ao jantar.

Com «chantilly» ou açúcar,
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Eram de chorar por mais
Mas outra fruta que havia
De bom grado se comia:
Era boa por demais.

O «chantilly» era feito
Com leite do nosso gado.
Nossa Vóvó tinha jeito:
Era manteiga,eram natas,
Tudo p'ra nosso proveito.

terça-feira, 30 de julho de 2013

ORA TU/ORA EU

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MANUELA BARROSO:
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Debaixo das laranjeiras
o perfume das flores
embriagava os sentidos
um êxtase de tais odores.

BEATRIZ DE BRAGANÇA:

Laranjeiras brasileiras,
Sanguíneas,oh!laranjal!
Faziam nossas delícias
Pululavam no quintal,
Com frutos,como carícias.

Sumarentas,saborosas
Consolavam os sentidos
Do gosto,olfacto e visão:
Dourado em meio do verde,
E as flores tinham função:

Noiva que virgem casava,
Tinha no ramo estas flores,
Toda a gente observava
E pelos dedos contava
Nove meses,dos amores.

Se o bébé antes nascia,
Lá se ia toda a magia:
População apupava
A noiva, que a enganou,
E o ramo a Deus ofertou.

MANUELA BARROSO:

Mas o símbolo das flores
Não são os símbolos da alma
Nem todas as pétalas são
A pureza dos amores
Nem todo o amor traz a calma

Da flor de laranjeira
Com seu odor delicado
Vejo antes a beleza
Deste eu para ser amado:
Ser mãe é sua GRANDEZA!

Esta eterna desigualdade
Entre homem «sábio» e mulher
Dói muito no coração
Na era da igualdade
Pois a maior dedicação
Não está no corpo
Mas nas mãos,alma da Humanidade

terça-feira, 23 de julho de 2013

ENCURTANDO DISTÂNCIAS

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Um dia,um ser bem pensante
Com a sua Sede em Dublin
Proporcionou ao viajante
Deslocar-se,num instante,
Por pouco mais de um xelim.

Já todos adivinharam
Que falo da Ryanair:
As viagens encurtaram,
Os preços diminuíram,
E viaja quem quiser.

O que levava seis horas,
Faz-se em cinquenta minutos,
Pois vamos do Porto a Faro,
Sem escalas,sem demoras,
E sem pagar muito caro.

Tripulação bem treinada:
Pilotos e comissários,
Chegando à hora marcada,
Uma corneta afinada
Serve-nos de emissário.

A música é irlandesa,
Pois que,e eu tenho a certeza,
É sempre ouvida por muitos:
Cidadania inglesa,
Francesa e bem portuguesa.

Segurança absoluta,
Todos sabemos que temos.
Lá, voamos como aves,
E, o ter mais duzentas naves,
Diz que Ryanair é arguta.

Graças a ela,consigo
Ver mais vezes a família.
E assim,todos os meses,
Sei que voo,sem reveses,
Nesta grande companhia.

Ryanair,oh Ryanair!
O que seria de mim?
Se não existisse,enfim
Um belo transporte assim
Que movimenta quem quer.


BEATRIZ DE BRAGANÇA SANTOS  (Como cliente,sou MARIA SANTOS).

Para quem não conhecer,Ryanair é uma companhia aérea de baixo custo.Não me admira nada que,dentro em breve,ela inclua, nos seus itinerários,viagens para outros continentes.(Já vai a África).




domingo, 14 de julho de 2013

A PARTIDA

Que sensação tão diversa
A da chegada e partida!
Na primeira,é só conversa,
Na outra...toda caída,
Seja à 2ª ou à 3ª.

Deixar p'ra trás quem amamos
É bem triste solução
Não há arrufada, biscoito ,
Nada que nos ofereçamos
Vai mudar a situação.

Só penso como aguentar,
Sem perder minha razão.

Já me apetece voltar!...

Vou esquecer que, agora não.
Agora, é mesmo p'ra andar,

Para o Norte, aonde vivo
Me sinto como um cativo,
Num cenário bem diferente,
Conhecendo toda a gente,
Mas...sem meus amores comigo.

Tomo um chá, p'ra relaxar,
Esboço o melhor sorriso,
Só para ninguém chocar.
E lá vou,com muito siso,
Após todos abraçar!!!...


BEATRIZ de BRAGANÇA SANTOS

domingo, 7 de julho de 2013

O REENCONTRO

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Descendo pela auto - estrada,
Ou em linha reta ou curvas,
Sinto uma certa apreensão:
Vejo o fim da solidão
A acabar daqui a nada.

E o meu coração arrisca
A saltar bem mais veloz
Pelos perigos da pista
E por chegar, breve, a vós.
Seis horas é mesmo atroz!

Lá vamos calcorreando
Planícies, várzeas, charnecas
Sempre tudo assinalando,
P'ra não ter pneus carecas
E ver paisagens, passando.

São verdes de vários tons,
Amarelos, rosa vivo,
Há lavandas, miosótis,
Muitas espigas de trigo.
Já estamos no Alentejo!!!

Eis que chegamos ao sul:
Não há terra, o mar começa
Está bom tempo, o céu é azul
E vejo as minhas meninas
Sempre, na minha cabeça.
.......................................
São abraços, são beijinhos,
Muitas trocas de miminhos.
-Tu estás muito maior!
-E tu,com caracolinhos!
E a mãe, cada vez melhor!


Beatriz de Bragança Santos

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Sobre a TERNURA

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Outras pessoas também raciocinaram sobre a TERNURA.

«É a beleza que começa a agradar e a TERNURA completa o encanto.»
                                                                 BERNARD FONTENELLE

«Nada é pequeno no amor.Quem espera as grandes ocasiões para provar a sua TERNURA, não sabe amar.»
LAURE CONAN

«Os braços de uma mãe são feitos de TERNURA e os filhos dormem profundamente neles.»
                                                                                                                 VICTOR HUGO

«A necessidade é a melhor mestra e guia da natureza. A necessidade é TERNA e inventora, o eterno freio e lei da natureza.»
LEONARDO DA VINCI

«O homem que não conhece a dor, não conhece a TERNURA da humanidade.»
                                                                        JEAN JACQUES ROUSSEAU

«A poesia dos poetas que sofreram é doce e TERNA. E a dos outros, dos que de nada foram privados,é ardente,sofredora e rebelde.»
      CLARICE LISPECTOR

«Quando vejo uma criança,ela inspira-me dois sentimentos: TERNURA pelo que é, e respeito pelo que pode vir a ser.»
LOUIS PASTEUR

«Temo a tua natureza;ela está demasiado cheia do leite da TERNURA humana para que sejas capaz de seguir o caminho mais curto.»
WILLIAM SHAKESPEARE

«O povo deve ser educado com o mesmo cuidado e TERNURA com que um jardineiro cultiva uma árvore frutífera de estimação.»
     JOSEPH STALIN

«Todo o bem que eu puder fazer,toda a TERNURA que eu puder demonstrar a qualquer ser humano, que eu os faça agora, que não os adie ou esqueça, pois não passarei duas vezes pelo mesmo caminho.»
                                                                                                                        JAMES GREENE

sexta-feira, 28 de junho de 2013

TERNURA



Onde estão os meus afetos
E todos nossos projetos?!
Um vendaval outonal,
Com a ajuda do inverno
Destruiu o que era terno.

Nas folhas, em rodopio,
Iam também a candura,
Emoção e aceitação,
Uma grande admiração
E muita, muita afeição.

Mas o vento, quando leva,
Não volta a pôr no lugar.
Muito menos...sentimentos
O que só veio agravar
A ausência a suportar.

Porém, chega um turbilhão,
Que tudo veio alterar
Trouxe consigo a paixão
Junto co'a luz do luar
E muita, muita afeição.

De repente, há um silêncio!
Só a Lua nos espreita
E ela toda se deleita
Com a TERNURA refeita
Nos corações de nós dois.


Beatriz de Bragança Santos

sábado, 15 de junho de 2013

REQUISITOS DE UMA OBRA DE ARTE

CEDIDO
Aristóteles diz:
«É preciso que,como nas outras artes de imitação, a unidade de imitação resulte da unidade do objeto; assim, na fábula, já que há a imitação de uma ação, que esta imitação seja una e inteira, e que as partes estejam unidas de tal forma,que se se transpõe ou corta alguma delas, o todo seja abalado e transtornado.» (Aristóteles, Poética,1451 a, 22 - 34)
Na obra de arte deve haver clareza e nobreza de elocução. A obra será clara e nobre quando, usando as palavras comuns está semeada de metáforas: o poeta tempera a obra deste modo, é claro e nobre: dá grandeza à banalidade. Mas também pode cair no barbarismo, se emprega apenas metáforas; ou ser baixo por causa do exclusivismo das palavras comuns; ou enigmático se gasta, em absoluto termos insignes ou «caros».
Outro requisito: a variedade. «Varietas deletat», segundo o prolóquio latino.
Na opinião do Filósofo, a epopeia tem uma particularidade importante: enquanto a tragédia só pode imitar a ação que está em cena, a epopeia imita muitas partes simultâneas da ação. Ora isto dá grandeza à obra épica, proporciona ao ouvinte o prazer da mudança, e prepara a variedade de episódios dissimilhantes. (Aristóteles, Poética,1459 b, 13 s)
Devem, ainda, as obras de arte ter uma certa extensão. Como escreve o autor da Poética,«uma coisa pode ser inteira e ter pouca extensão.É inteira aquela que tem começo, meio e fim». E remata: «As fábulas bem constituídas não devem, pois, começar nem acabar num ponto tomado ao acaso.» (Aristóteles, Poética,1450 b, 24 - 35
Só outro requisito mais: a proporção.
A este respeito,escreve: porque « a beleza reside na extensão e na ordem..., um animal belo não pode ser extremamente pequeno (porque torna - se confusa a vista quando não dura senão um momento quase impercetível), nem extremamente grande (porque, neste caso, não o abrange o olhar, mas a unidade e a totalidade escapam à vista do espectador; imagine - se , por exemplo, um animal que tivesse milhares de estádios de comprimento...) segue - se que, se para os corpos e para os animais é precisa uma grandeza tal que se possa abranger com a vista, do mesmo modo é precisa para as fábulas uma extensão tal que a memória possa capturar.» (Aristóteles, Poética,1450 b, 35 - 40; 1450 a 1 - 6)
Nem São Tomás disse melhor quando se exprimiu assim:- «Pulchra enim dicuntur quae visa placent; unde pulchrum in debita proportione consistit, quia sensus delectatur in rebus debite proportionatis.» (Aquinatis, S. Thomas, Sum. Th., Parisiis (ed. 17 q.V, art. IV.) « Os pequenos podem ser formosos e comensurados - mas não belos.» (Aquinatis, S. TH., in Libros Ethicorum Arist. ad Nicomacum, Taurini, 1934, Lib. IV, p. 249 - 251)

J.E.SANTOS - meu pai

segunda-feira, 10 de junho de 2013

ONTEM (Dueto) - PARTE II

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Começa a grande poetisa Manuela Barroso:

E chegando à noitinha
Regando o meu jardim
misturava a cor das rosas
e o cantar alegre das aves
com outras flores formosas.

Da nascente a água fresca
um bálsamo da Natureza
correndo pelos regatos
contornavam os desacatos
do coaxar das rãs na represa.

Quando o rio convidava
de cana na mão ia à pesca.
O prazer da dança dos peixes
no desalinho da linha
para mim era uma festa.

CONTINUO:

Pois eu rego os meus canteiros                    5) É que toda a gente gosta
Bem cedo,pela manhã,                                    Destes « frutos» sazonais
Rosas, zínias e craveiros,                                 Que o rio não dá à costa             
Que não têm nada de arteiros,                         E pescá-los, da encosta,
Ouvindo música sã:                                         É difícil por demais.

É o alegre chilrear                                           Dantes, havia pesqueiras,
De toda essa passarada                                  Que agora estão afundadas
Que volteja, pelo ar,                                       E o povo das costeiras,
E eu olho, lá da sacada,                                  Passando muitas canseiras,
Muito contente, a cantar,                                Traz lampreias arranjadas.
Seguindo-lhes a toada.
                                                                      E então, com satisfação,
Mas há outros sons por lá,                              Reúnem logo as famílias
Que enchem nossos ouvidos.                          Umas, lá no casarão,
Vêm dos regatos que há                                 Outras, debaixo das tílias,
Com seus anfíbios, coaxando,                         P'ra uma bela refeição.
E mais bichos destemidos.
                                                                      Há festa durante os meses,
O Douro, bem lá ao fundo,                             Que vão de janeiro a abril.
Só dá p'ra pescar à cana.                                E eu vejo, muitas vezes,
Com barragens, é profundo                             Emigrantes portugueses
E as lampreias e sáveis                                    A regressar p'lo repasto
Que são muito indispensáveis                          Aos magotes, mais de mil.
Não chegam nem p'ra meio mundo.

                             Beatriz de Bragança Santos