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domingo, 7 de julho de 2013

O REENCONTRO

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Descendo pela auto - estrada,
Ou em linha reta ou curvas,
Sinto uma certa apreensão:
Vejo o fim da solidão
A acabar daqui a nada.

E o meu coração arrisca
A saltar bem mais veloz
Pelos perigos da pista
E por chegar, breve, a vós.
Seis horas é mesmo atroz!

Lá vamos calcorreando
Planícies, várzeas, charnecas
Sempre tudo assinalando,
P'ra não ter pneus carecas
E ver paisagens, passando.

São verdes de vários tons,
Amarelos, rosa vivo,
Há lavandas, miosótis,
Muitas espigas de trigo.
Já estamos no Alentejo!!!

Eis que chegamos ao sul:
Não há terra, o mar começa
Está bom tempo, o céu é azul
E vejo as minhas meninas
Sempre, na minha cabeça.
.......................................
São abraços, são beijinhos,
Muitas trocas de miminhos.
-Tu estás muito maior!
-E tu,com caracolinhos!
E a mãe, cada vez melhor!


Beatriz de Bragança Santos

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Sobre a TERNURA

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Outras pessoas também raciocinaram sobre a TERNURA.

«É a beleza que começa a agradar e a TERNURA completa o encanto.»
                                                                 BERNARD FONTENELLE

«Nada é pequeno no amor.Quem espera as grandes ocasiões para provar a sua TERNURA, não sabe amar.»
LAURE CONAN

«Os braços de uma mãe são feitos de TERNURA e os filhos dormem profundamente neles.»
                                                                                                                 VICTOR HUGO

«A necessidade é a melhor mestra e guia da natureza. A necessidade é TERNA e inventora, o eterno freio e lei da natureza.»
LEONARDO DA VINCI

«O homem que não conhece a dor, não conhece a TERNURA da humanidade.»
                                                                        JEAN JACQUES ROUSSEAU

«A poesia dos poetas que sofreram é doce e TERNA. E a dos outros, dos que de nada foram privados,é ardente,sofredora e rebelde.»
      CLARICE LISPECTOR

«Quando vejo uma criança,ela inspira-me dois sentimentos: TERNURA pelo que é, e respeito pelo que pode vir a ser.»
LOUIS PASTEUR

«Temo a tua natureza;ela está demasiado cheia do leite da TERNURA humana para que sejas capaz de seguir o caminho mais curto.»
WILLIAM SHAKESPEARE

«O povo deve ser educado com o mesmo cuidado e TERNURA com que um jardineiro cultiva uma árvore frutífera de estimação.»
     JOSEPH STALIN

«Todo o bem que eu puder fazer,toda a TERNURA que eu puder demonstrar a qualquer ser humano, que eu os faça agora, que não os adie ou esqueça, pois não passarei duas vezes pelo mesmo caminho.»
                                                                                                                        JAMES GREENE

sexta-feira, 28 de junho de 2013

TERNURA



Onde estão os meus afetos
E todos nossos projetos?!
Um vendaval outonal,
Com a ajuda do inverno
Destruiu o que era terno.

Nas folhas, em rodopio,
Iam também a candura,
Emoção e aceitação,
Uma grande admiração
E muita, muita afeição.

Mas o vento, quando leva,
Não volta a pôr no lugar.
Muito menos...sentimentos
O que só veio agravar
A ausência a suportar.

Porém, chega um turbilhão,
Que tudo veio alterar
Trouxe consigo a paixão
Junto co'a luz do luar
E muita, muita afeição.

De repente, há um silêncio!
Só a Lua nos espreita
E ela toda se deleita
Com a TERNURA refeita
Nos corações de nós dois.


Beatriz de Bragança Santos

sábado, 15 de junho de 2013

REQUISITOS DE UMA OBRA DE ARTE

CEDIDO
Aristóteles diz:
«É preciso que,como nas outras artes de imitação, a unidade de imitação resulte da unidade do objeto; assim, na fábula, já que há a imitação de uma ação, que esta imitação seja una e inteira, e que as partes estejam unidas de tal forma,que se se transpõe ou corta alguma delas, o todo seja abalado e transtornado.» (Aristóteles, Poética,1451 a, 22 - 34)
Na obra de arte deve haver clareza e nobreza de elocução. A obra será clara e nobre quando, usando as palavras comuns está semeada de metáforas: o poeta tempera a obra deste modo, é claro e nobre: dá grandeza à banalidade. Mas também pode cair no barbarismo, se emprega apenas metáforas; ou ser baixo por causa do exclusivismo das palavras comuns; ou enigmático se gasta, em absoluto termos insignes ou «caros».
Outro requisito: a variedade. «Varietas deletat», segundo o prolóquio latino.
Na opinião do Filósofo, a epopeia tem uma particularidade importante: enquanto a tragédia só pode imitar a ação que está em cena, a epopeia imita muitas partes simultâneas da ação. Ora isto dá grandeza à obra épica, proporciona ao ouvinte o prazer da mudança, e prepara a variedade de episódios dissimilhantes. (Aristóteles, Poética,1459 b, 13 s)
Devem, ainda, as obras de arte ter uma certa extensão. Como escreve o autor da Poética,«uma coisa pode ser inteira e ter pouca extensão.É inteira aquela que tem começo, meio e fim». E remata: «As fábulas bem constituídas não devem, pois, começar nem acabar num ponto tomado ao acaso.» (Aristóteles, Poética,1450 b, 24 - 35
Só outro requisito mais: a proporção.
A este respeito,escreve: porque « a beleza reside na extensão e na ordem..., um animal belo não pode ser extremamente pequeno (porque torna - se confusa a vista quando não dura senão um momento quase impercetível), nem extremamente grande (porque, neste caso, não o abrange o olhar, mas a unidade e a totalidade escapam à vista do espectador; imagine - se , por exemplo, um animal que tivesse milhares de estádios de comprimento...) segue - se que, se para os corpos e para os animais é precisa uma grandeza tal que se possa abranger com a vista, do mesmo modo é precisa para as fábulas uma extensão tal que a memória possa capturar.» (Aristóteles, Poética,1450 b, 35 - 40; 1450 a 1 - 6)
Nem São Tomás disse melhor quando se exprimiu assim:- «Pulchra enim dicuntur quae visa placent; unde pulchrum in debita proportione consistit, quia sensus delectatur in rebus debite proportionatis.» (Aquinatis, S. Thomas, Sum. Th., Parisiis (ed. 17 q.V, art. IV.) « Os pequenos podem ser formosos e comensurados - mas não belos.» (Aquinatis, S. TH., in Libros Ethicorum Arist. ad Nicomacum, Taurini, 1934, Lib. IV, p. 249 - 251)

J.E.SANTOS - meu pai

segunda-feira, 10 de junho de 2013

ONTEM (Dueto) - PARTE II

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Começa a grande poetisa Manuela Barroso:

E chegando à noitinha
Regando o meu jardim
misturava a cor das rosas
e o cantar alegre das aves
com outras flores formosas.

Da nascente a água fresca
um bálsamo da Natureza
correndo pelos regatos
contornavam os desacatos
do coaxar das rãs na represa.

Quando o rio convidava
de cana na mão ia à pesca.
O prazer da dança dos peixes
no desalinho da linha
para mim era uma festa.

CONTINUO:

Pois eu rego os meus canteiros                    5) É que toda a gente gosta
Bem cedo,pela manhã,                                    Destes « frutos» sazonais
Rosas, zínias e craveiros,                                 Que o rio não dá à costa             
Que não têm nada de arteiros,                         E pescá-los, da encosta,
Ouvindo música sã:                                         É difícil por demais.

É o alegre chilrear                                           Dantes, havia pesqueiras,
De toda essa passarada                                  Que agora estão afundadas
Que volteja, pelo ar,                                       E o povo das costeiras,
E eu olho, lá da sacada,                                  Passando muitas canseiras,
Muito contente, a cantar,                                Traz lampreias arranjadas.
Seguindo-lhes a toada.
                                                                      E então, com satisfação,
Mas há outros sons por lá,                              Reúnem logo as famílias
Que enchem nossos ouvidos.                          Umas, lá no casarão,
Vêm dos regatos que há                                 Outras, debaixo das tílias,
Com seus anfíbios, coaxando,                         P'ra uma bela refeição.
E mais bichos destemidos.
                                                                      Há festa durante os meses,
O Douro, bem lá ao fundo,                             Que vão de janeiro a abril.
Só dá p'ra pescar à cana.                                E eu vejo, muitas vezes,
Com barragens, é profundo                             Emigrantes portugueses
E as lampreias e sáveis                                    A regressar p'lo repasto
Que são muito indispensáveis                          Aos magotes, mais de mil.
Não chegam nem p'ra meio mundo.

                             Beatriz de Bragança Santos

quarta-feira, 5 de junho de 2013

COM OS MEUS

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Desperto e louvo a Deus
E falo logo com os meus.

Conto-lhes sempre os segredos:
Toda a minha solidão,
Onde só minhas pegadas
Colocam marcas no chão.

E os meus lá ouvem sempre
Meu  murmúrio bem profundo,
Que nunca os importuna
Nem por nada deste mundo.
Nem sequer minha humildade
Os faz,jamais, reagir.

Vem fome,sede e saudade.
Mas as imagens que passam
Por diante dos meus olhos
Só conseguem ver abrolhos.
Só plantas e animais
São saciados demais.

Regresso aos meus.

Quer estejam em casa ou não,
Sempre conforto me dão.
Escutam-me e eu abrando.
Fico mais leve, qual pluma
Confundida com a bruma,
Que nem deixa ver o chão.

Se me perco, estão comigo.

Toco neles e, do monte,
Eu vislumbro o horizonte
Ali mesmo, bem defronte
E reencontro-me em fonte,
Cidade ou qualquer lugar.

E os meus olhos descansam,
Cansados de tanto amar.


Beatriz de Bragança Santos



segunda-feira, 3 de junho de 2013

DEUS E EU

Melro
Olhando para os primeiros raios de Sol,
Que reverberam multicores sobre o orvalho, e abrem o girassol
Eu me aconchego.

Ouvindo os primeiros trinados matinais
De melros, cucos, rolas, pombas e pardais
Eu me aconchego.

Vendo o ondular turbulento do rio,
À passagem de mercadorias e passageiros, em navio
Eu me aconchego.
Cuco

Ao meio do dia, sob uma canícula que tudo aquieta e acalma,
E tudo faz parar, para depois recomeçar com alma,
Eu me aconchego.

Na tarde duradoira dos dias de estio,
Lendo um bom livro ou cavaqueando com meus pais e tio,
Eu me aconchego.

Quando o Sol se esconde, deixando no horizonte
Matizes harmoniosos cor de fogo ou rosa, junto à fonte,
Rola
Eu me aconchego.

E à noite, depois de ir saudar os meus pais
E lhes aconchegar a roupa mais,
Regresso ao meu aposento,
Ao Criador, elevo um grato pensamento
E sinto que em Seu regaço
ELE me aconchega.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

ONTEM (Dueto)


Começa a minha grande amiga Manuela Barroso:

Se recordar é viver
enquanto o permite a vida
lembremos os nossos sonhos
de uma infância colorida

As nossas flores silvestres
hoje flores de canteiro
não têm o mesmo perfume
e contra o que é costume
não escolhem nascimento
são flores do ano inteiro

Mas o maio sempre chega
nas suas folhas brilhantes
e numa explosão de cores
são sempre as flores de dantes.

CONTINUO:

Quero lembrar-me dos sonhos                                    7) Como existe a aviação, 
Da meninice feliz,                                                            E estufas por todo o lado
Quando vivia na aldeia                                                    Há flores o ano inteiro,
No quintal «Vila Beatriz».                                               Mas com perfume « velado».

Havia um lindo jardim,                                                    E a Faculdade exige
Todo talhado à francesa,                                                Que, por cá, continuemos.
Com vários tipos de flores                                              Penso na aldeia, onde existem                                
Ou rasteiras, ou arbóreas.                                              Os meus bonitos crisântemos.
                                                                                      
E, no resto do terreno,                                                   Quando lá vou, de visita,
Que era todo ele uma horta                                            Seja qual for a estação,
Havia aqui e acolá                                                          Há sempre tão lindas flores
Mal-me-queres, papoilas e,                                            Quer seja inverno ou verão!                      
Miosótis bem azuis.                                                        É que elas têm sua época,
                                                                                      Muda o tempo e a floração.
O pior foi vir viver                                                          
Para uma grande cidade                                                
Sonhava que ia ter                                                                                                                  
Lá, a mesma liberdade.                                                   Agora, volvidos anos,
                                                                                      Tudo se mantém igual
Embora houvesse na casa                                               O mês de maio com lírios
Uma parte a cultivar,                                                       E rosas, em especial.
O certo é que ar conspurcado                                        
Não permitia medrar                                                      Os perfumes são os mesmos
                                                                                      Poluição, lá, é menor
As flores vindas do campo,                                            E encontramos, a esmos,
Por causa da poluição.                                                   Nossos cultivos de Amor.
E tudo perde o encanto!!!...
As plantinhas, aqui, crescem,
Mas demoram um tempão!                                                      
                                                                                     
                               

Beatriz de Bragança

terça-feira, 28 de maio de 2013

DUETO

A grande Poetisa Manuela Barroso escreveu:

Fechaste bem dentro de ti
esse tesouro escondido
quando ao passar por aqui
vi como tinhas respondido.

Continuei:

Eu nunca quis esconder
Fosse o que fosse de ti
Mas, não podia prever
Que isto fosse acontecer:
Tu vires a desafiar-me
E eu a ousar responder.

Se achas que tenho um tesouro
Escondido dentro de mim,
Sinto-me muito feliz
Por o teres descoberto
E ele poder ter um fim.(leia-se, finalidade)


Beatriz de Bragança

terça-feira, 21 de maio de 2013

O QUE É A POESIA?

                                                   CEDIDO
«Que é pois essa realidade misteriosa a que chamamos poesia?(...) A poesia, no sentido objetivo(...) é, antes de mais, comunicação, estabelecida por meios linguísticos, de um conteúdo anímico global, no seu tríplice aspeto conceptual, afetivo e sensorial.» (Poesia e Linguagem Poética - Alguns problemas da sua pedagogia, páginas 25 e 26 - Estudos - Boletim do Ensino Secundário, Tipografia Bloco Gráfico,Lda.-Rua da Restauração, 387 - Porto - 1975)
Desde a antiguidade helénica que este assunto merece a atenção dos grandes espíritos. Platão e Aristóteles estudaram a Poesia, embora sob óticas diferentes. É sobretudo importante a «Poética» de Aristóteles, onde figura o estudo sobre metáforas, neologismos, a estrutura do poema,etc. Diógenes de Laércio atribui dois volumes à «Poética» - e nós hoje só possuímos um.

A «Poética» que nos resta, portanto, é uma obra incompleta.(...)
Em 1498, ela é traduzida por G. Valla; os Alde apresentam uma edição em 1508; e, no decurso do século XVI, aparecem, ainda, as edições de Paccius, de Nadius, de Robortellus, de Petrus Victorius e de outros. Contudo, só no século XIX é que se fez um exame penetrante ao texto da Poética, sendo digno de especial menção, neste trabalho, J. Vahlen. «As suas três edições sucessivas (Berlim,1867, 1874; Leipzig, 1885) constituem com o seu comentário crítico em Latim e os estudos que consagrou à interpretação da Poética, particularmente nas Memórias da Academia de Viena, um dos monumentos mais duradoiros da filologia do século XIX.» (Hardy, pág. 23 da Introdução à «Poetique» (Aristote) Coleção das Universidades de França. Esta Introdução precede o texto original da Poética). Este exame de Vahlen, como afinal todos os outros estudos críticos, foi suscitado, principalmente, pelo aparecimento de três manuscritos importantes: o Parisinus 1741, que data do século X ou XI; o Ricardianus 46(B), do século XIV; e, finalmente, a Versão Árabe, enquadrada entre os manuscritos do século X.
Também alguns editores ingleses, mormente no século XIX, contribuíram para a divulgação da Poética. Quanto aos editores italianos, avulta Rostagni.
A Poética foi escrita em Atenas, no espaço de tempo que vai do ano 335 a 323 a. C., segundo o comum sentir dos aurores.
Em Portugal, foi traduzida para vernáculo, em 1779.
Na sua obra, o Estagirita compara o poema ao ser vivo. A poesia faz parte das artes de imitação.(...)
Para uma obra de arte ser bela,exige o Estagirita «unidade de ação». Observa Aristóteles: - «Homero, superior em tudo o resto, viu muito bem este aspeto, graças ao seu conhecimento da arte ou ao seu génio: compondo a Odisseia, não contou todos os acontecimentos da vida de Ulisses; por exemplo, que recebeu uma ferida no Parnasso e que simulou loucura quando do ajuntamento dos gregos; acontecimentos em que um deles não devia, tendo sucedido o outro, necessária ou verosimilmente suceder; mas é à volta de uma ação única, no sentido em que nós o entendemos, que ele compôs a sua Odisseia, e também a sua Ilíada. É preciso, pois, que, como nas outras artes de imitação, a unidade de imitação resulte da unidade do objeto.

J.E.Santos - meu pai